4 de janeiro – Solenidade da Epifania do Senhor
Quem se aproxima da cidade de Colônia, na Alemanha, logo divisa as torres de sua catedral, as quais parecem desafiar os ventos e as tempestades que há séculos se abatem sobre elas. Contemplando-as, quase teríamos vontade de lhes perguntar: “Quem vos fez assim tão robustas e esguias? Que fatos memoráveis presenciastes? Que Santos e que pecadores albergastes entre vossas sagradas paredes?” Se lhes fosse dado falar, talvez elas nos responderiam: “Temos, de fato, muito para vos contar, mas isso nada seria se comparado ao que Melchior, Gaspar e Baltasar, que no interior da catedral repousam, podem vos contar. Nós quase tocamos no céu; mas eles realmente tocaram o próprio Rei dos Céus! A eles, sim, é que deveis pedir: ‘Contai-nos vossa história!’”
Quiçá os Reis Magos atendessem à nossa súplica com apenas uma frase: “Responder ao chamado de Deus é sempre uma aventura, mas vale a pena correr o risco!” Com efeito, esse expressivo enunciado, atribuído a Santa Teresa Benedita da Cruz, bem poderia resumir suas vidas. Analisemos os três elementos que o compõem.
Primeiro: Deus chama. No caso dos Reis do Oriente, tal chamado não se deu mediante a aparição de um Anjo nem de uma locução divina, mas de forma discreta e suave: uma estrela apareceu no céu. Mas para eles estava tudo dito. O Senhor queria que seguissem esse misterioso astro, pois os levaria até o local onde outro Rei havia nascido. Quão pronta e fiel foi a resposta dos Magos ao convite divino! São eles um perfeito modelo de docilidade à graça, pois nos mostram o quanto devemos estar atentos aos sinais do Alto, sendo flexíveis aos planos do Pai Celeste, mesmo sem os conhecermos inteiramente.
Segundo: há riscos. Sabiam eles dos perigos da viagem? Com toda a certeza. Mas nenhum obstáculo é intransponível para quem se fez escravo da graça. Nem as agruras do deserto, nem a longa travessia em caravana por locais perigosos, nem sequer a perfídia de Herodes ou a hipocrisia dos fariseus e dos escribas conseguiram desviá-los do caminho que conduziria ao verdadeiro Rei.
Terceiro: vale a pena. Quando chegaram diante do Menino Jesus, de sua Mãe Santíssima e de São José, com toda a propriedade eles puderam exclamar: “Valeu a pena!” O que são os perigos, as provações e os sofrimentos se comparados à recompensa de contemplar o próprio Deus?
Nesta Solenidade da Epifania, os Reis Magos nos recordam que em certos momentos de nossas vidas Deus também nos chama. Esse chamado pode exigir de nós determinadas renúncias e, ao mesmo tempo, a disposição de nos lançarmos numa santa aventura. Haverá riscos, haverá perplexidades, haverá sofrimentos. Entretanto, quando o demônio nos quiser fazer desistir de nossa “perigosa viagem”, lembremo-nos de que vale a pena! Ao chegarmos ao Céu, o Menino Jesus nos receberá de braços abertos, como outrora acolheu os Reis do Oriente. ◊

