Unidos por uma missão universal

Constituídos colunas da Igreja, São Pedro e São Paulo servem-nos de exemplos para a difusão da Fé com inigualável ardor e integridade.

28 de junho – Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos
(no Brasil)

Pedro e Paulo: por que festejá-los numa mesma solenidade? Se é verdade que esses Apóstolos conheceram o Divino Mestre em situações diversas, pregaram o Evangelho a povos tão diferentes e foram martirizados de modos distintos, não pareceria mais razoável que a Liturgia, por exemplo, unisse em uma só celebração São Paulo e São Barnabé, os quais palmilharam as mesmas terras anunciando a Boa-Nova, ou São Pedro e Santo André, irmãos de sangue que sofreram na cruz o martírio?

Tratar-se-ia, na verdade, de um grande equívoco. Circunstâncias externas e naturais, ainda se muito respeitáveis, são secundárias quando se trata de explicar os vínculos estabelecidos por desígnios providenciais.

Ao santificar o pescador de Betsaida e o fariseu de Tarso, quis Nosso Senhor uni-los numa única e altíssima missão: foram constituídos colunas da Igreja e pastores universais de seu rebanho. Como lemos no Evangelho da Missa do dia, a Pedro coube o primado no Colégio Apostólico. Ser a rocha sobre a qual a Igreja se edifica: eis a missão recebida diretamente do Mestre (cf. Mt 16, 18). Quanto a Paulo, deveria anunciar o Evangelho integralmente a todas as nações (cf. II Tm 4, 17), com ardor e dinamismo inigualáveis.

Ao celebrar, pois, na mesma solenidade esses dois varões, recordamos uma das notas distintivas do Catolicismo: sua universalidade.

Católico é um termo grego que significa universal. Já no século II, essa universalidade era conhecida e aceita pelos cristãos, como testemunha Santo Irineu de Lyon: “A Igreja, mesmo espalhada por todo o mundo, guarda com cuidado [essa pregação e essa fé], como se morasse numa só casa, e crê do mesmo modo, como se possuísse uma só alma e um só coração; unanimemente as prega, ensina e entrega, como se possuísse uma só boca […]. Como o Sol, criatura de Deus, é em todo o mundo um só e o mesmo, assim a luz da pregação da verdade brilha em todo lugar e ilumina todos os homens que querem chegar ao conhecimento da verdade”.1

Aqui reside um dos ensinamentos mais importantes desta Liturgia: a Fé Católica, rocha inabalável, só é ela mesma quando anunciada na íntegra, independentemente das circunstâncias ou dos tempos. Excluamos apenas um dos elementos que a compõem, e deixará de ser católica.

Ora, se essa Fé chegou a nossos ouvidos e por ela fomos santificados nas águas do Batismo, é porque houve pastores e fiéis que, a exemplo dos Apóstolos, difundiram-na, em sua totalidade, no decorrer dos séculos.

Nos dias atuais, a responsabilidade pesa sobre nossos ombros. Caberá, pois, a cada um de nós, unidos à Cátedra de Pedro, ser outros tantos “Paulos” na pregação da Fé verdadeira. Por palavras? Sim, mas sobretudo pelo exemplo de uma vida íntegra, consoante aos Mandamentos e à moral católica. Só assim poderemos, ao cerrar os olhos para esta vida, entoar com o Apóstolo o cântico da vitória: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça” (II Tm 4, 7-8). 

 

Notas


1 SANTO IRINEU DE LYON. Contra as heresias. L.I, c.10, n.2.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Do mesmo autor

Artigos relacionados

Redes sociais

1,644,769FãsCurtir
125,191SeguidoresSeguir
9,530SeguidoresSeguir
558,475InscritosInscrever