Todos O amam, mas de modos diversos

O homem dá-se todo por amor, e dá-se na medida em que ama: dá-se, pois, inteiramente a Deus quando ama sobre todas as coisas sua divina bondade; e depois de se dar assim não deve amar nada que possa roubar a Deus o seu coração. Ora, não há nenhum amor que roube o nosso coração a Deus, senão o que lhe é contrário. […]

É certo que no Paraíso, Deus Se nos há de dar todo, e não em parte, porque o Senhor não admite divisões; mas há de dar-Se-nos diversamente e com tantas diferenças quantos forem os bem-aventurados; e há de ser assim, porque dando-Se todo a todos e todo a cada um, nunca Se dará totalmente nem a um em particular, nem a todos em geral. […]

Todos os verdadeiros amantes se parecem, por darem todo o coração a Deus, e com todas as forças, mas são diferentes por Lho darem de modo diverso; todos dão todo o coração com todas as suas forças, mas uns mais perfeitamente do que outros. Uns dão todo o seu amor a Deus pelo martírio, outros pela virgindade, outros pela pobreza, outros pela ação, outros pela contemplação, outros pelo exercício pastoral; dão-Lho todos pela observância dos Mandamentos, não obstante fazem-no com maior perfeição uns que os outros.

De forma que a estimativa do amor que dedicamos a Deus depende da eminência e excelência do motivo por que O amamos; amamo-Lo em virtude da sua infinita bondade como Deus e por ser Deus.

SÃO FRANCISCO DE SALES.
Tratado do amor de Deus.
2.ed. Porto: Apostolado da Imprensa,
1950, p.460-463

 

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