…que o nome “Eva” não foi escolhido por acaso?
Quiçá certa perplexidade já tenha assaltado o leitor ao deparar-se com a passagem do Gênesis: “Adão chamou a sua mulher Eva, porque ela era a mãe de todos os viventes” (3, 20). Afinal, que relação há entre “ser mãe de todos os viventes” e o nome “Eva”?
Na cultura ocidental, a escolha de um nome costuma atender a desejos diversos: honrar um antepassado, seguir uma moda ou simplesmente satisfazer o gosto por determinada sonoridade… Em tradições orientais, porém, ainda hoje se conserva o hábito de designar os novos membros da família com um nome-símbolo, como Cisne ou Muralha, expressão das esperanças depositadas pelos pais naquela alma.
Tal costume prevalecia nos tempos bíblicos, como se nota no trecho do Gênesis acima citado. Eva, em hebraico Hawwah, significa vida. O versículo poderia, então, ser lido assim: “Adão chamou a sua mulher Vida”, indicando a sua missão de mãe. Na versão grega dos Setenta, o significado foi preservado ao traduzir Eva por ζωή, vida. Já na Vulgata Latina o nome foi apenas transliterado do hebraico, originando versões semelhantes nas línguas românicas e em outras línguas modernas.
Ao sair do Paraíso, Adão parecia lembrar à sua esposa como, no duro exílio, a aliança divina permanecia viva na promessa de uma descendência. Mais do que causa da morte, ela era, nos desígnios divinos, Eva: prefiguração d’Aquela que seria denominada a Nova Eva, Maria, a quem caberia gerar a humanidade para a verdadeira Vida. ◊
…que os mortos podem ser ajudados pelos vivos?
A caridade é o vínculo que une os membros da Igreja e, como proclamou o Apóstolo, ela “jamais acabará” (I Cor 13, 8), pois “nem a morte, nem a vida […] nos poderá apartar do amor que Deus nos manifesta em Cristo Jesus” (Rm 8, 38-39). Isso se verifica de modo especial em relação àqueles que já passaram desta vida para a outra, visto que, de certa forma, eles permanecem sempre vivos na memória dos seus mais íntimos (cf. São Tomás de Aquino. Suma Teológica. Suppl., q.71, a.2).
Por essa razão, também aqueles que se purificam no fogo do Purgatório podem beneficiar-se do auxílio dos vivos. Como? Segundo São Tomás (cf. ibid., a.9), três são as principais obras que melhor aproveitam aos falecidos, por estarem intimamente ligadas à comunicação da virtude da caridade.

Primeiramente a Sagrada Eucaristia, Sacramento da união que contém Aquele no qual toda a Igreja se consolida. Por isso é importante encomendar intenções de Missas pelos defuntos. A esmola também tem seu papel, por ser um efeito da caridade. Por fim, a oração possui valor precípuo, pois implica uma relação mais direta por quem se reza.
Em suma, o sufrágio oferecido pelos vivos não altera o estado de desdita dos mortos para a bem-aventurança, mas contribui, antes de tudo, para mitigar a pena expiatória, pela caridade e pela intenção a eles dirigida.
Não percamos, pois, ocasião de ajudar as almas dos que nos precederam, tendo presente esta verdade indiscutível: um dia também nós dependeremos do socorro dos membros da Igreja Militante que, pela caridade e pela Comunhão dos Santos, estão unidos à Igreja Padecente. ◊

