Como surgiu a cerimônia da Quarta-Feira de Cinzas?

A Quarta-Feira de Cinzas, em 25 deste mês, marca o início da Quaresma, os 40 dias dedicados à purificação e boas obras que nos preparam para bem considerar a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, na Semana Santa.

Qual a origem do costume de se colocar cinza sobre a cabeça do fiel nesse dia?

A Igreja primitiva assim marcava, no primeiro dia da Quaresma, os cristãos obrigados a fazer penitência pública, em razão de alguma falta grave, para distingui-los dos demais. Por determinação do Papa Urbano VI, no Concílio de Benevento, realizado em 1091, estendeu-se à universalidade dos fiéis esse costume, uma vez que todos temos motivos para a contrição.

Com efeito, já no Antigo Testamento, a cinza imposta na cabeça foi um sinal de arrependimento e expiação. Jó, entristecido por ter advogado a causa da sua inocência com termos pouco comedidos, exclama: “Repreendo-me a mim mesmo, e faço penitência no pó e na cinza” (Jó 42, 6). Para restaurar o pecado cometido por Achan na tomada de Jericó, Josué e os anciãos de Israel cobrem-se de cinza (Josué 7, 6).

E o próprio Jesus utiliza este símbolo quando diz que os habitantes de Tiro e de Sidônia teriam se arrependido sob o cilício e a cinza se tivessem visto os milagres obrados por Ele na Judéia (Mt 11, 21).

Para se obter a matéria a ser usada na cerimônia do início da Quaresma, são queimados os ramos bentos no Domingo de Ramos do ano anterior.

A cinza é também símbolo do nada das coisas humanas: “Lembra-te que és pó e ao pó hás de voltar” (cf. Gen 3,19), nos diz a Igreja nesse dia, incitando-nos à humildade. 

 

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